domingo, 3 de julho de 2011

Trazendo ritmo para a vida do bebê

Traduzido e adaptado livremente do texto de Kristen Burgess

(http://www.christopherushomeschool.org/early-years-nurturing-young-children-at-home/the-waldorf-baby/bringing-rhythm-to-your-baby.html)

Uma vida ritmada e organizada nutre a criança, inclusive o bebê. Trazer ritmo aos dias e à vida do bebê também trará benefícios para você e para toda a família.

Uma vida com ritmo e rotina não significa seguir horários rígidos. Ritmo é algo mais natural e orgânico, que flui. É algo que ajuda a família, não algo que prende.

Se você ainda está grávida e se preparando para o nascimento do seu filho, sugiro que você se liberte de quaisquer expectativas para as primeiras semanas de vida do bebê. Esse é um momento onde você estará conhecendo o bebê e ele ou ela estará se ajustando à vida fora do seu ventre. Passe bastante tempo conversando e conectando-se com o bebê e, sempre que der, descanse o máximo possível.

Quando seu bebê tiver com duas ou mais semanas você pode começar a criar um ritmo. Na verdade, você pode começar assim que sentir que é a hora. Apenas tente não se cobrar muito cedo após o parto.

Comece criando um ritmo para guiar seu dia. Se você tem filhos mais velhos isso pode ser mais fácil, pois você provavelmente já tem horas de acordar, comer e dormir (e se não tiver, isso pode ser uma boa hora para começar!). Se esse bebê é seu primeiro, você precisará de mais disciplina. Foi bem mais difícil para eu dar um ritmo à vida do meu segundo e terceiro bebê que do primeiro.

Comece escolhendo uma hora para acordar (ou para acordar o bebê, se você quiser acordar antes), uma hora para comer (e lanchar também!) e uma hora para colocar o bebê para dormir. Esses horários não precisam ser rígidos: algo como “em torno das 8 horas” já está bom. Recomendo que você leia sobre os benefícios que dormir cedo trazem para as crianças e escolha um horário de acordo para o bebê. Para se ter uma idéia, meus filhos dormem às 7 horas!

Agora você tem um “roteiro” para começar a conviver com seu novo bebê (ou bebê mais velho!). Acorde pela manhã e se prepare para o dia. Prepare o bebê para o dia. Coma seu café da manhã enquanto amamenta. Depois você pode fazer algum serviço pela casa com o bebê num sling, dar um passeio perto de casa e então amamentar mais um pouco!

Quando você for lanchar, amamente o bebê. Seu bebê começará a associar a hora do lanche com a amamentação. Aos poucos você pode começar a acostumar o bebê a tirar um cochilo matinal logo após essa hora do lanche. Aos poucos seu bebê irá se ajustar a esse ritmo e rotina.

O mesmo acontece com o almoço. Amamente logo após o almoço ou durante o almoço. Quando tive meu segundo filho, eu colocava o almoço do primeiro e então amamentava o bebê enquanto eu almoçava. Depois eu colocava o bebê na cadeirinha para dormir enquanto ninava o mais velho no colo. Fiz o mesmo quando tive o terceiro filho.

Quando meu segundo filho era bebê ele dormia mais ou menos uma hora na cadeirinha enquanto eu e o mais velho também cochilávamos. Depois ele acordava para amamentar e dormia por mais duas horas. Sim, um cochilo de três horas! Enquanto isso, eu e o mais velho tínhamos bastante tempo juntos sozinhos enquanto o bebê dormia. Foi parecido quando veio o terceiro.

Destaco que esse deve ser um processo gradual e suave. Tenha confiança no ritmo e padrões de sua família que aos poucos o bebê entrará neste ritmo.

Carregue o bebê num sling enquanto você faz as tarefas de casa pela tarde e o tenha por perto no jantar. Seu bebê vai querer amamentar quando acordar do cochilo da tarde e no início da noite, mas tente encorajá-lo a ficar acordado nas duas horas que antecedem seu horário de dormir.

Tenha uma rotina tranqüila de preparação para o sono. Um bebê pequeno pode acordar as 16hs e ainda assim estar pronto para ir dormir às 19hs. Guardar os brinquedos juntos, fechar as cortinas, se banhar, trocar de fraldas e colocar o pijama, cantar canções de ninar – tudo isso ajudará o bebê a saber que a hora de dormir está chegando.

Balance e amamente o bebê e deite-o para dormir. Se você tem o costume de dormir com o bebê na mesma cama, você pode escolher deitar com ele até ele adormecer e depois se levantar.

Se seu bebê acordar de novo, simplesmente amamente-o e coloque o novamente na cama. Um horário de dormir cedo para o bebê dará a você um tempo para si. Você poderá tomar um banho relaxante, ter tempo com seu parceiro, ler, conversar ao telefone, ficar no computador ou apenas ter um tempo para si em silêncio.

Esse começo de rotina suave irá se desenvolver à medida que seu bebê cresce. Mantenha esse “roteiro” básico e outros ritmos irão se desenvolver com o tempo. É claro que há dias quando você vai precisar passar o dia “dançando” com o bebê nos braços quando ele tiver mais abusado ou noites quando o bebê não vai querer dormir, mas tudo isso faz parte. Porém, ter um ritmo geral será muito bom para todos.

Também lhe encorajo a ficar o máximo de tempo em casa com seu bebê! Programe suas tarefas fora de casa para um único dia da semana, ou dois no máximo, e honre sua rotina com o bebê. Honre os cochilos da tarde e, em especial, a hora de dormir. Esse pode ser um sacrifício da sua parte, mas é melhor para o bebê (e será durante muitos anos!). Felicidade para um bebê é estar com você, ficar junto de você num sling enquanto você faz suas tarefas e caminhar pelo vizinhança e pela natureza. A simplicidade da vida e a paz de ter um ritmo é um presente que ganhamos quando temos ter filhos.

Encorajo-lhe a cobrir a televisão durante o dia com um tecido bonito. Seu bebê não precisa dela e seus filhos pequenos não precisam dela. Ao invés disso, mostre sua casa e sua vizinhança ao bebeê. Inclua o bebê na sua vida, não ocupe a vida dele com uma TV.

Cante para seu bebê ao longo do dia. Seu bebê irá amar independente se sua voz é boa ou não! Você também poderá recitar versos infantis simples e associá-los aos diferentes momentos e tarefas do dia. Por exemplo: canções ou versos para tomar banho, lanchar, guardar os brinquedos, etc.

Conheça bem o “roteiro” e vá guiando seu bebê suavemente dentro da sua rotina diária. Honre o ritmo do seu bebê. Cante e recite. Deixe que o bebê veja a vida da casa e a natureza de dentro do sling. Lembre que é normal que alguns dias sejam difíceis. E confie que esse ritmo irá nutrir e apoiar seu bebê e você também!

quinta-feira, 24 de março de 2011

Conectando-se com nossos filhos

Por Carrie Dentley, baseado no capítulo 14 do livro “Hold On to Your Kids”; tradução livre (ver texto original em http://theparentingpassageway.com/2011/02/01/hold-on-to-your-kidscollecting-our-children)

Conectar-se ao nosso eu interior e aos nossos filhos, em conjunto com dar limites, é o que faz a disciplina funcionar. O autor começa este capítulo dizendo: “No topo da nossa agenda devemos colocar a tarefa de conectar-se com nossos filhos, de colocá-los sob nossas asas, de fazer com que eles queiram pertencer a nós e estar conosco. Não podemos mais supor, como os pais de antigamente podiam, que uma forte ligação inicial entre nós e nossos filhos irá durar o quanto precisarmos. Não importa o quão grande for nosso amor ou quão bem intencionada for nossa criação, sob as circunstâncias atuais temos menos margem para errar que todos os pais do passado. Enfrentamos competição demais”.

Então a questão fica sendo como conectamos DIARIAMENTE e REPETIDAMENTE com nossos filhos. Isso se encaixa bem com o estilo Waldorf devido ao uso extenso dos ritmos.

Os autores resumem quatro passos para tal conexão:

1. Entre no espaço da criança de modo amigável. Com crianças mais velhas, muitas vezes o único contato direto com os pais é quando algo está errado. O livro cita que criança que está aprendendo a andar experiencia, em média, uma proibição a cada nove minutos, que a redireciona para outro local. Então, quanto a criança cresce, os pais passam menos e menos tempo com ela no sentido de ficar apenas juntos, e o tempo que passam juntos é, quase sempre, para corrigir comportamentos errados.

Precisamos reconectar com nossos filhos após cada separação. A separação inclui não apenas a escola ou quando os pais vão para o trabalho, mas também depois que a criança acaba uma brincadeira, uma leitura, uma tarefa de casa, um filme ou ao acordar. Como isso é feito varia de família para família, mas é possível começar cumprimentando a criança que retorna de algum local ou de uma atividade. Faça o mesmo com os filhos dos seus amigos e com as crianças da vizinhança.

Acredito, também, que diminuir a quantidade de atividades que a família desenvolve fora de casa e dar maior importância aos rituais diários como cozinhar e comer juntos dá uma base sólida para os rituais de conexão.

2. Forneça algo para a criança poder se ligar a você emocionalmente: calor, calor emocional, atenção, interesse, ouvir a criança ou dar um abraço, beijo ou afago; o que cada criança precisar! “A criança precisa saber que é querida, especial, significativa, valorizada, apreciada, que sentem saudades dela, que gostam de sua companhia. Para uma criança receber completamente um convite à conexão (e acreditar nele e mantê-lo em sua mente mesmo com a distância física) é preciso que este seja genuíno e incondicional”.

Isso é muito importante mesmo quando você não tiver com vontade, pois seu filho está se desenvolvendo, o que nem sempre é fácil. Conecte-se com esta criança, ame-a! Guia-a, mantendo os limites, pois é você que é o adulto maduro com experiência de vida. Se você tiver a atitude de que irá criar esta criança para ser um bom ser humano, independente de qualquer coisa, então você se comprometerá para tal tarefa.

Os autores escrevem ainda que “Não podemos cultivar a conexão cedendo a todas as demandas da criança, seja por afeição, reconhecimento ou significância. Porém, podemos arruinar o relacionamento retirando da criança o que ela realmente precisa quando está expressando, genuinamente, alguma necessidade; responder à criança sob demanda não deve ser confundido com o enriquecimento da relação. Esse passo da dança não é uma resposta à criança. É o ato de conceber um relacionamento, repetidamente”.

Para crianças que têm uma ligação insegura com os pais, os autores observam que isso pode ser exaustivo para os mesmos e que “o problema é que a atenção dada [neste caso] nunca é suficiente: deixa uma incerteza de que os pais estão atendendo apenas às demandas, e não voluntariamente se doando para a criança. Então as demandas começam a aumentar mais e mais, e a necessidade emocional nunca se satisfaz. A solução é viver o momento, convidar o contato exatamente quando a criança não está pedindo.” Acredito que isso é especialmente eficaz em situações onde a filhos de mais de um casamento.

3. Convide a dependência. Os autores fazem uma comparação com o processo de namoro, quando um está continuamente se oferecendo a ajudar com uma atitude educada e feliz. “Você consegue imaginar o que aconteceria se, ao cortejar alguém, a mensagem enviada fosse: 'Não espere que eu lhe ajude com nada que eu ache que você pode ou deve fazer sozinho?'”

A dependência traz a independência no momento certo. Forçar a separação da criança causa pânico e faz com que ela “grude”.

Porém, o que os autores faltaram ressaltar aqui foi que, dentro do desenvolvimento normal da criança, isso aparece quando as crianças estão, de forma subconsciente, experimentando com o poder, com seus quereres e com as necessidades do seu desenvolvimento. Alguns pais precisam deixar com que seus filhos se tornem mais dependentes deles e precisam aprender a respeitar as indicações dos filhos mais velhos que que ainda não estão prontos para se separar. Porém, também há casos onde a criança está pronta para se separar e necessita disso, mas os pais não conseguem reconhecer que a criança precisa de apoio para fazer as coisas longe dos pais. Acredito que, dependendo da idade da criança, esta pode ser uma linha tênue onde os pais devem prestar atenção de forma muito consciente.

4. Aja como o compasso da criança. Precisamos guiar nossos filhos. Os autores escrevem: “Coisas mudaram demais para que nós sejamos guias. Não leva muito tempo para as crianças saberem mais que nós sobre o mundo dos computadores e da Internet, sobre seus jogos e brinquedos (...) Porém, apesar do fato do nosso mundo ter mudado (ou, mais corretamente, devido a este fato) está mais importante que nunca ter confiança em nós mesmos e assumir nossa posição como o compasso da vida dos nossos filhos”.

Os autores também listam várias frases que podem ajudar a orientar uma criança, tais como “Deixe-me mostrar como isso funciona”, “Você deve pedir ajuda a esta pessoa”, “Você tem o precisa para fazer (tal coisa)...”, etc.

Estas são coisas que vejo na vida real: mostrar a seu filho trabalho REAL e como fazer as coisas, primeiro por imitação (até os 7 anos) e depois ajudando-o a realizar trabalho real sozinho; ajudá-lo a encontrar seus pontos fortes e aumentar sua auto-confiança para enfrentar o que lhe desafia; aterrando seu filho na vida espiritual do FAZER; orientando-o, pelas suas ações, pela forma como você percebe o mundo e pela forma como você trata a família e as pessoas fora da família. Seja, você mesmo, um ser humano correto: se sua vida pessoal não estiver alinhada com a forma que você deseja que seu filho aja, é melhor que você mude para mostrar o significado de um ser humano moral. Na criação de um filho, não pode haver desconexões.

Acima de tudo, o compasso da criança inclui colocar limites de forma amorosa, com as ferramentas certas e na hora certa. Para todas as idades, é essencial controlar sua própria raiva e usar sua maturidade para ser adulto o suficiente para guiar a criança. Para todas as idades, mostrar à criança COMO make restitution é muito importante, é chave. Para as crianças com menos de sete anos, existe a imitação, usar as mãos para auxiliar de forma gentil, cantar, criar um ritmo, usar a distração, contar histórias, falar usando imagens e usar o movimento para ajudar a criança. Para crianças de cinco anos e meio ou seis, você pode usar frases curtas e diretas sobre o que precisa acontecer ou não. Para crianças de sete a oito, é possível usar uma explanação breve, com o cuidado de não estimular demais com as palavras. Para aquelas com mais de nove anos, uma conexão sincera ou uma conversa para resolver o problema.

Espero que este texto tenha ajudado você, como pai ou mãe, a unir as peças da conexão e dos limites para conseguir guiar seus filhos de forma gentil e amorosa, de uma forma madura onde você é o adulto, a realidade.

É bom ressaltar que tudo isso retrata uma situação ideal; porém, não somos perfeitos e TODOS nós passamos por momentos como pais onde nos perguntamos se estamos fazendo a coisa certa, se estamos estragando os nossos filhos, etc. Sim, todos nós já passamos por isso! Mas crie seus filhos com confiança e alegria; com conexões e limites para você e sua família você conseguirá criar seus filhos para serem adultos saudáveis!

terça-feira, 22 de março de 2011

Cultivando a gratidão nas crianças

Adaptado e traduzido livremente do texto de Carrie Dentley: http://theparentingpassageway.com/2010/11/14/back-to-basics-cultivating-gratitude-in-children/

Uma das reclamações que ouço frequentemente dos pais é que seus filhos parecem não apreciar as coisas nem saber expressar, prontamente, sua gratidão. Pais tem me contado histórias sobre como seus filhos pequenos só querem, querem, querem e querem, e como eles sentem raiva e tristeza se perguntando onde foi que erraram, pois seus filhos nunca estão satisfeitos.

Isso é difícil, e para começar é bom observar como você mesmo se sente sobre as emoções negativas que seu filho(a) expressa de forma geral. Estas emoções fazem com que você se depare com suas próprias questões? Comumente, quando uma criança faz algo que realmente nos irrita, existe uma razão do nosso próprio passado, da nossa própria “bagagem”, o que torna a questão uma espécie de gatilho.

Como você mesmo modela a gratidão na sua família? Existe uma atitude geral de contentamento ou você está sempre procurando por mais ou por coisas maiores e/ou melhores? Você é uma pessoa que reclama muito?

O que você faz todos os dias para ATIVAMENTE ser um modelo de conduta quanto à gratidão? Você agradece antes das refeiçoes? Você ora ou diz obrigado pelo que tem? Você reconta as coisas boas pelas quais você está grato e feliz antes de dormir?

Como é seu ambiente? É simples ou cheio que COISAS? Quantos brinquedos tem seu filho(a)? Pode ser que seja demais, mesmo que sejam apenas brinquedos “naturais”.

Qual a idade do seu filho(a)? Dos três aos seis anos (ou mesmo antes!!) pode ser difícil levá-los a lojas, pois eles podem não compreender que você não tem condições de comprar X, Y ou Z, então aconselho sair para as compras sozinho.

Você consegue apenas “refletir” os desejos dos seus filhos? Por exemplo, quando eles querem algo, responder “Eu também gostaria de algo assim” ou “É verdade, isso seria divertido”. Com frases simples assim você faz com que seu filho(a) saiba que foi ouvido, sem ter que entrar nos méritos do que ele(a) quer. O que eles querem pode ser, então, anotado numa lista de aniversário ou de Natal.

Que histórias você pode contar para trazer um componente de cura a toda esta questão? Existem algumas boas opções entre os contos dos Irmãos Grimm.

Você faz parte de uma comunidade espiritual que pode realizar atos de caridade? Até mesmo as crianças pequenas, dentro de um contexto de uma comunidade forte e acolhedora, pode realizar atividades de caridade (como participar na coleta de brinquedos e comida, por exemplo). Lembre-se que a questão não é falar sobre isso, mas FAZER.

Como está o nível de atividade física da criança? Como ela ajuda em casa e contribui para o bem estar do lar e da família? Eu acredito que crianças que tem tempo para querer, querer e querer provavelmente não estão usando sua energia física o suficiente! Também reflita sobre o calor que esta criança vem recebendo, a quantidade de escolhas que é forçada a fazer e o ritmo do seu lar.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Natal 2009

Tudo começa com Maria, que vai percorrendo seu caminho, aqui um espiral de elementos naturais (conchas e pedras de vidro coloridas). Fizemos a mangedoura com galhos do quintal, papelão e folhas secas. Os enfeites são pinhões que catamos e algumas velas. A mesa está coberta com feltro.


A mesa, mais alguns outros elementos ao redor (pinhões, rochas, árvore de natal).


Maria encontra José para fazerem a caminhada juntos. Colocamos três cores de pedra para representar nossa família: amarelo (eu, a mais velha), verde (meu esposo) e azul (nosso filho).


Jesus já nasceu e recebe a visita do pastor, enquanto os três reis magos se aproximam.


Todos contemplam o menino Jesus na mangedoura.


O legal de celebrar com uma mesa assim é que o enfoque pode ser mais no simbólico que no religioso, dependendo de cada família.


Todos os personagens foram confeccionados de feltro usando um molde baixado na Internet mesmo. A exceção foi o anjinho, que foi presente (de vidro). Este ano vamos adicionar mais elementos, como os animais da mangedoura.



Estamos começando a organizar nosso "ritual" de fim de ano. Relembrando 2009, aí foram algumas fotos de como fizemos ano passado. Foi bem legal ir construindo a mesa temática aos poucos, adicionando elementos semana a semana, com historinhas correspondentes. Um livro que ajudou (inspirou) bastante foi o "Advent: Lighting the Path to Christmas", da Annette Frontz.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Crianças não são mini-adultos!

Extraído do livro “You Are Your Child's First Teacher”, por Rahima Baldwin Dancy (tradução livre)

Uma forma de evitar muitos dos problemas que assolam os pais atualmente é entender o desenvolvimento infantil. Se pudermos compreender a natureza da criança pequena a medida que esta desabrocha, poderemos suprir as verdadeiras necessidades da criança e promover o desenvolvimento harmonioso da mente, corpo e emoções.

Apesar das crianças serem, obviamente, muito diferentes dos adultos, nossa cultura costuma tratá-las como “mini-adultos privilegiados” e tentar apressá-las pela infância. Diversos problemas surgem quando não nos damos conta de como uma criança de três anos é diferente de uma de nove, de um adolescente ou de um adulto. Isso parece óbvio, mas muitos pais levam todos os seus filhos ao mesmo filme numa tentativa de serem justos, ou então tentam fazer seu filho de cinco anos raciocinar como se sua habilidade com palavras devesse se traduzir diretamente em controle sobre suas próprias ações.

Atualmente, a “síndrome da criança apressada” está evidente em todos os setores de atividade. Fisicamente, é óbvio que os corpos das crianças não estão maduros ainda, mas mesmo assim tentamos apressar seu desenvolvimento com andadores ou “ginástica” para bebês. Similarmente, jeans de marca e bonecas Barbie para meninas pequenas contribuem para que entrem cada vez mais cedo no mundo adolescente de maquiagem, roupas e dietas.

Também é óbvio que crianças não são iguais aos adultos em termos emocionais. Uma criança pequena pode sorrir por entre lágrimas quando lhe é apresentada a mínima distração. A criança feliz de quatro anos contrasta fortemente do adolescente mau-humorado. Como um se transforma no outro? Está claro que a vida emocional interna leva muito tempo para desenvolver a complexidade e que tem a dos adultos. Porém, muitos adultos tentam desenvolver as emoções dos filhos e tentar fazer com que tenham consciência destas emoções nomeando, expressando ou até mesmo praticando emoções com eles. E tendemos a expor crianças pequenas a situações demasiadamente fortes emocionalmente (da próxima vez que for ao cinema perceba quantas crianças infelizes estão por lá!).

É óbvio que crianças não raciocinam da mesma forma que os adultos. Elas conseguem dizer frases fantásticas, tanto sobre como o mundo funciona e sobre coisas erradas que não deveriam ter feito mas que “de alguma forma” aconteceram. Porém, o pensamento lógico e a capacidade de resolução de problemas se desenvolvem lentamente. Crianças muito pequenas, por exemplo, carecem de “permanência de objetos”, e procurarão por um objeto no local onde sempre o acham, ao invés de no lugar onde viram a mãe colocar. Crianças menores que seis anos ainda não tem a habilidade que Piaget chama de “pensamento operacional concreto”. O raciocínio lógico não se desenvolve até os dez ou onze anos, conforme observado pelos estudos de Piaget. Ou seja, há muito tempo vem se documentando que a capacidade de raciocinar e pensar de forma lógica é um poder que desabrocha aos poucos, à medida que a criança cresce e se apropria dele. Como adultos esquecemos como era viver num mundo não-linear e não-sequencial. Temos a expectativa de poder raciocinar com nossos filhos assim que eles comecem a falar. Tentamos fazê-los raciocinar sobre tudo desde seu comportamento e respectivas consequências até os motivos que fazem o mar ser salgado. E, de fato, algumas crianças demonstram grande habilidade de levar adiante tais conversas com seus pais; porém, estas crianças aprenderam a fazer isto imitando anos deste tipo de interação com os pais. Crianças pequenas ainda não pensam de forma racional, e o uso do raciocínio tem pouco impacto na mudança do seu comportamento.

Similarmente, oferecemos longas explicações científicas como respostas às indagações das crianças, quando uma experiência direta de algo semelhante ou uma imagem que pode ganhar vida e se transformar através de sua imaginação lhes daria muito mais satisfação. Explanações racionais são como dar pedras ao invés de pão a uma criança com fome. Quando uma criança pergunta coisas do tipo “Por que o sol brilha?” ela está, na verdade, indagando sobre o propósito do sol e não sobre mecânica; por isso, ficam muito mais satisfeitas com uma resposta do tipo “Para nos manter quentes e fazer a grama e as flores crescerem” ao invés de uma palestra sobre termodinâmica.




quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Cultivando a quietude


Traduzido e adaptado do texto de Carrie Dentley: http://theparentingpassageway.com/2009/12/1v5/cultivating-the-quiet-the-inner-work-of-advent/


A escritora Donna Simmons se hospedou conosco um tempo atrás e comentou sobre como nossa casa fica silenciosa depois das sete da noite. A casa fica a meia luz, dá para ouvir o vento ou a chuva lá fora e ouve-se apenas o ressonar do cachorro :) e/ou das crianças.


Esse comentário me fez refletir sobre o tom e energia da nossa casa. Como é a energia da sua casa? Essa energia muda ao longo do dia? O que muda essa energia? Sua casa fica em silêncio em algum momento do dia? Seus filhos ficam quietos alguma hora ou estão sempre “elétricos”, numa atividade sem fim?


Acredito que existem três impedimentos para conseguir quietude no lar. O primeiro é o acúmulo e desordem visual (um fato relevante neste momento de festas).


Ano passado, nesta mesma época, escrevi o seguinte em outro texto (ver o texto completo em: http://theparentingpassageway.com/2008/11/23/holiday-gifts-for-children-how-much-is-too-much/ ):


Infelizmente, na nossa sociedade, a(s) pessoa(s) com as quais a maioria das famílias gastam mais dinheiro são as crianças. Ufa! Convido-lhe a tomar um copo de chá relaxante e pedir ao seu cônjuge para levar as crianças para o parque por algumas horas. Agora vá ao quarto delas e observe a quantidade de coisas que tem lá. É sério. Conte o número de quebra-cabeças, pares de sapatos e caixas de brinquedos. Quantos jogos tem lá? Quantas roupas?


O primeiro passo é sempre o mais difícil. Convido-lhe a livrar-se de pelo menos um terço dos brinquedos nesta época de festas. Se não conseguir se livrar de tudo, livre-se pelo menos dos brinquedos de plástico vindos da China e guarde apenas os que valham a pena. Uma dica: algumas famílias guardam uma parte dos brinquedos em outro lugar e fazem uma espécie de rodízio, trocando-os mensalmente ou sazonalmente.”


Onde você vai guardar todas os presentes novos do Natal? Pense um pouco sobre isso esta semana. Gostaria de lançar o desafio de usar esse momento para organizar a bagunça do seu espaço físico. Apenas fazer isso já ajuda a criança a se acalmar. Pense no quarto do seu filho(a) e como ele pode se tornar um espaço de relaxamento.


O segundo desafio para conseguir a quietude é o acúmulo e desordem VERBAL. Pare de confidenciar tantos detalhes da sua vida adulta com seus filhos! Mesmo uma criança de sete, oito ou nove anos não precisa saber de tanta coisa. Converse o que for de adulto com adulto e de criança com criança. Pergunte-se sempre: meu filho realmente precisa dos dez minutos de raciocínio adulto sobre quantas possibilidades de passeio pode-se fazer hoje e por que? Precisa ouvir comentários sobre o “filho do vizinho que faz isso mas nossa família não”, etc., etc. É mesmo necessário?


Pense sobre quanto de espaço e quietude você anda cultivando entre suas palavras. Seja um modelo para seu filho sobre como pensar em silêncio, sobre como tirar conclusões após um período de reflexão interior e só depois colocar em palavras faladas a sua conclusão (ao invés de falar todo seu raciocínio em voz alta). Essa é uma ótima habilidade para uma criança aprender!


A outra forma de reduzir a desordem verbal é parando de perguntar como eles se sentem. Crianças com menos de nove anos mudam seu estado emocional o tempo todo, e ficar fazendo esse tipo de perguntas é uma pressão enorme. No livro Simplicity Parenting, Kim John Payne fala exatamente sobre isso:


As crianças com menos de nove anos certamente têm sentimentos, mas na maior parte do tempo esses sentimentos são inconscientes e não são diferenciados. Em qualquer tipo de conflito ou chateação, se forem perguntados como se sentem, muito honestamente dirão 'Mal'. Eles realmente se sentem mal. Porém, dissecar e analisar isso, ficar remexendo essas emoções pra lá e pra cá imaginando que estão escondendo outros sentimentos mais sutis, é invasivo. É, também, geralmente improdutivo, e pode deixar a criança nervosa. Quando crianças pequenas têm emoções, elas levam tempo para tomar consciência das mesmas. Até os dez anos, mais ou menos, sua consciência e vocabulário emocional é prematuro demais para responder 'à altura' aos nossos monitoramentos.


A inteligência emocional não pode ser comprada ou apressada. Se desenvolve devagar com o surgimento da identidade e com o acúmulo gradual das experiências. Quando empurramos uma criança para uma consciência que ainda não possui, transpomos nossas próprias emoções e nossa própria voz para eles, sobrecarregando-os. Durante os primeiros nove ou dez anos as crianças aprendem principalmente pela imitação. Suas emoções e a forma com que você lida com elas é o modelo com o qual eles aprendem, muito mais do que quando você tenta os 'instruir' sobre isso”.


Quanto menos você disser, mais peso suas palavras terão. Sorria se seja carinhoso(a), abrace e beije, mas tente falar menos e ouvir mais!


O terceiro desafio para conseguir a quietude é muita ENERGIA FÍSICA! A maioria das crianças com menos de 9 anos precisam de muito tempo ao ar livre, brincando e correndo, para gastar suas energias. Sem conseguir usar sua energia física é provável que as crianças fiquem “atacadas” e não consigam se focar em nada, além de falar pelos cotovelos! Então leve sempre as crianças para brincarem lá fora!


Desejo a vocês momentos de quietude!

Carrie Dentley



Veja mais:

http://theparentingpassageway.com/2009/04/14/stop-talking/

http://theparentingpassageway.com/2009/08/19/using-our-words-like-pearls/

http://www.thechildtoday.com/files/SimplicityReviewForm


domingo, 13 de setembro de 2009

Dez boas ferramentas para uma disciplina infantil suave

Por Carrie Dentler*


Queremos educar bem e sem violência, mas tem horas que nos questionamos como fazer para substituir gritos, chantagens e castigos físicos na hora de disciplinar. Neste texto vou focar as crianças de até 7 anos, apesar das ferramentas que vou citar servirem para crianças mais velhas.

Barbara Patterson e Pamela Bradley, no seu livro “Beyond the Rainbow Bridge – Nurturing Our Children from Birth to Seven” [algo como “Além da Ponte do Arco-Íris: Cuidando de Nossas Crianças do Nascimento aos Sete Anos”, sem tradução em português] apontam que a criança pequena que vê adultos tendo acessos de raiva e descarregando essa raiva na criança ou na presença da criança, guardará essa imagem dentro de si por toda sua vida. Tudo que se faz na presença de uma criança a atinge profundamente: gritos, ameaças e chantagens não ajudam na disciplina das crianças pequenas. Pelo contrário, podem até enfraquecer sua habilidade de lidar com situações de crise quando forem adultas.

Então a regra número 1 seria: sempre guiar a criança de até 7 anos pelo princípio da imitação.

O que é imitação? De acordo com Rahima Baldwin Dancy, no seu livro “You Are Your Child’s First Teacher” (“Você é o primeiro professor do seu filho”, sem tradução em português), a melhor forma de ensinar um comportamento ao seu filho é fazer o mesmo na frente dele(a). Porém, isso demanda que nós adultos nos levantem e façamos alguma coisa ao invés de ficar o tempo todo dando ordens ou explicações.

Essa idéia da imitação é a base de muitas coisas na vida de uma criança pequena. Uma criança pequena imitará, durante suas brincadeiras, exatamente as coisas que você faz, desde jogar um pano sujo na pia até franzir a testa quando está preocupado. Então quando você ver algum mau comportamento no seu filho(a) olhe primeiro para si!

Abaixo, vamos ver algumas outras ferramentas que podem ser utilizadas no processo de disciplina:

1. Use o humor – Muitos pais levam a criação dos filhos muito a sério. Não leve cada palavra que sai da boca de sua criança tão a sério a ponto de ter que conversar longamente e dar mil explicações toda vez que ele disser algo “ruim”.

Vou dar um exemplo. Uma criança de 3 anos grita “Eu te odeio!” para você num momento de raiva. Isso não é nada divertido de se ouvir, mas eu não daria mais peso para isso do que se ela dissesse que anda com seu triciclo na Terra dos Gigantes. Uma criança pequena simplesmente não entende a profundidade desta frase e isso não implica que ela não seja madura para a sua idade. Ela está apenas com raiva! Não faça que isso lhe distraia da situação original (que provocou a raiva); ou seja, não deixe a frase transformar a situação em algo maior!

A melhor tática, neste caso, é o humor (pelo menos até os 12 anos). Tenho uma amiga que é ótima neste quesito e um dia observei uma cena interessante. Estávamos de carro e sua filha estava atrás na cadeirinha, brincando com as outras crianças. De repente ela perdeu o equilíbrio e bateu com o olho num livro. Ficou muito zangada, segurando o olho, chorando e reclamando. Não havia sido nada demais, o olho nem tinha ficado vermelho. Então o seguinte diálogo decorreu:

Filha: “Mãe, alguem meteu o pé no meu olho!”
Mãe: “Eu achei que você tinha caído naquele livro.”
Filha: “Não, não, foi um pé! Foi o pé de alguém” (gritando desesperada)
Mãe: “Bom, neste caso... foi um pé de chulé? Seu olho ficou fedido?” (O irmãozinho começa a rir; a filha ainda está chorosa).
Filha: “Eu não sei se tinha chulé. Não consegui sentir o cheiro.” (O irmãozinho e os adultos estão todos rindo).
A mãe pega a filha para abraçar: “Bom, um pé de chulé vai fazer seu olho ficar um olho de chulé, deixa eu ver... Hunfff!!!!”

Isso poderia ter ocorrido de outra forma, já que todos os adultos tinham certeza que tinha sido o livro, enquanto a filha estava certa do chute. No final das contas não fazia diferença, pois estava doendo, mas poderia ter escalado para uma grande conversa cheia de raciocínio desnecessário para a idade (“não poderia ter sido um pé por causa disso ou daquilo”), ou ter se tornado algo muito sério, com cubos de gelo que não eram necessários (lembrem-se de que não havia sangue ou vermelhidão), ou então ter virado um Tratado Sobre O Perigo De Brincar Perto Demais Com Os Outros.

As coisas podem ser levadas com humor e em muitas situações o humor pode salvar o dia. O humor impede que as coisas se transformem em algo grande ou sério demais e serve de modelo para que a criança aprenda a ver o lado bom das coisas em momentos de estresse ou frustração.

Muitos pais dizem que é melhor guardar suas grandes reações para as grandes coisas da vida. Concordo, mas para tanto é preciso saber o que é GRANDE para sua família e para você. Pense sobre o estágio no qual a criança se encontra e decida o que é grande e o que não é naquele momento, e aja de acordo.

2. Distraia – uma ferramenta viável para todas as crianças abaixo dos 7 (e até muitas de 7 e 8 anos). Porém, é preciso criatividade no calor do momento para pensar de uma distração apropriada. Distração não é suborno ou chantagem, mas sim uma forma de mudar a cena para melhor.

Um exemplo é a mudança de cenário. Algumas crianças precisam apenas sair um pouco (para o jardim, quintal, etc.) quando estão chateadas!

3. Abraços, beijos e carinhos – Resolve bastante coisa sem precisar de muitas palavras. As vezes não precisa dizer nada mesmo, só segurar seu filho(a) nos braços e mostrar que você está lá com e para ele(a).

4. Fale em imagens – Muito útil com crianças pequenas. Ao invés de fazer a criança partir para uma “resolução de raciocínio” que vem “da cabeça” (o que na perspectiva Waldorf não é bom nesta idade), tente usar frases que tragam uma imagem para a criança. Por exemplo, para uma criança barulhento pode-se dizer “Diminua a sirene” ou para outra que não quer vir comer “Venha pulando como um coelhinho para pegar sua comida”. Assim, você redireciona o comportamento para algo mais positivo (o trabalho de Donna Simmons é muito interessante para se ter idéias de como falar de forma pictorial: at www.christopherushomeschool.org).

5. Use a palavra “pode” - por exemplo, afirme “Filhinho, você pode trazer seu prato até a pia para mim. Obrigada!”. Uma forma positiva de falar, sem gritar ou mandar. Porém, é importante que você seja sincero(a) com ele(a) e use um tom de voz positivo.

6. Limite as escolhas e poucas ou nenhuma palavra – As vezes um olhar fala mais do que cem palavras. Tente ajudar seu filho(a) a colocar o casaco enquanto canta uma canção sobre passear. Outro exemplo é simplesmente entregar a escova de dentes para escovação depois do banho ao invés de listar todos os motivos pelos quais é importante a higiene bucal. E isso nos leva para...

7. Empregue o “descastigo” - Segundo Alfie Kohn, no seu livro “ Unconditional Parenting” (algo como “Pais incondicionais”, sem tradução em português), os pais tendem a preferir colocar a criança “de castigo” ao invés de bater, como se estas fosses as duas únicas opções possíveis. A verdade é que (como já vimos até agora) essas táticas são igualmente punitivas. A única diferença é se a criança vai sofrer por meio físico ou emocional. Colocar de castigo apenas atrasa o momento até que a criança receber algum tipo de reforço positivo. Quando você coloca uma criança de castigo afastando-a de você, na realidade o que você está tirando dela é sua presença, sua atenção e seu amor.

Assim sendo, considere usar o “descastigo”. Algumas famílias instituem um local especial onde adultos e crianças podem sentar juntos e quietinhos, até se acalmarem. Outras mães apenas pedem que as crianças sentem-se perto dela enquanto fazem algum serviço ou atividade rítmica.

8. Ignore – Sim, é isso mesmo! Se o comportamento não está machucando ninguém nem a própria criança, mas apenas lhe deixando irritado(a), vez ou outra faça de conta que não está vendo. É claro que as vezes é preciso fazer alguma coisa (como usar uma das outras ferramentas citadas acima), mas não faz bem dissecar todo e qualquer comportamento.

9. Dê continuidade física às suas palavras – Quando você diz algo para uma criança pequena é preciso dar algum tipo de continuidade física as palavras para ajudar. É bom segurar nos braços, por exemplo, uma criança que está chateada com alguma situação. A fisicalidade da vida é algo muito presente para as crianças pequenas – abraços, beijos, um colo para se sentar e ajuda no que for preciso. A dignidade da criança deve sempre ser respeitada, então fique calmo quando for dar continuidade física a alguma coisa, lembrando-se sempre que nesta faixa etária (até os 7 anos) as crianças não funcionam bem unicamente com diretrizes verbais.

De acordo com Rahima Baldwin Dancy no livro citado anteriormente, a criança só começa a responder à autoridade de forma consistente a partir do ensino fundamental; ou seja, responder apenas à palavra falada, sem um acompanhamento de ações físicas. Com a criança em idade pré-escolar é preciso corrigir e demonstrar repetidas vezes, e não pode se esperar que a criança lembre sempre, pois não há maturidade suficiente ainda.

10. CONGELE! Uma das melhores ferramentas para os pais é aprender a dar aquela pequena pausa mental e se perguntar se o que você pretende fazer vai realmente ajudar seu filho(a) a ser o adulto que ele(a) tem o potencial de ser. Ou vai apenas piorar a situação ou transformá-la em algo negativo ou desnecessário? É algo que vai ensinar alguma coisa positiva ou apenas um momento de raiva que vai passar?

Seja uma liderança verdadeira dentro da sua própria casa usando essas ferramentas positivas!


* Adaptado do site The Parenting Passageway