quinta-feira, 24 de março de 2011

Conectando-se com nossos filhos

Por Carrie Dentley, baseado no capítulo 14 do livro “Hold On to Your Kids”; tradução livre (ver texto original em http://theparentingpassageway.com/2011/02/01/hold-on-to-your-kidscollecting-our-children)

Conectar-se ao nosso eu interior e aos nossos filhos, em conjunto com dar limites, é o que faz a disciplina funcionar. O autor começa este capítulo dizendo: “No topo da nossa agenda devemos colocar a tarefa de conectar-se com nossos filhos, de colocá-los sob nossas asas, de fazer com que eles queiram pertencer a nós e estar conosco. Não podemos mais supor, como os pais de antigamente podiam, que uma forte ligação inicial entre nós e nossos filhos irá durar o quanto precisarmos. Não importa o quão grande for nosso amor ou quão bem intencionada for nossa criação, sob as circunstâncias atuais temos menos margem para errar que todos os pais do passado. Enfrentamos competição demais”.

Então a questão fica sendo como conectamos DIARIAMENTE e REPETIDAMENTE com nossos filhos. Isso se encaixa bem com o estilo Waldorf devido ao uso extenso dos ritmos.

Os autores resumem quatro passos para tal conexão:

1. Entre no espaço da criança de modo amigável. Com crianças mais velhas, muitas vezes o único contato direto com os pais é quando algo está errado. O livro cita que criança que está aprendendo a andar experiencia, em média, uma proibição a cada nove minutos, que a redireciona para outro local. Então, quanto a criança cresce, os pais passam menos e menos tempo com ela no sentido de ficar apenas juntos, e o tempo que passam juntos é, quase sempre, para corrigir comportamentos errados.

Precisamos reconectar com nossos filhos após cada separação. A separação inclui não apenas a escola ou quando os pais vão para o trabalho, mas também depois que a criança acaba uma brincadeira, uma leitura, uma tarefa de casa, um filme ou ao acordar. Como isso é feito varia de família para família, mas é possível começar cumprimentando a criança que retorna de algum local ou de uma atividade. Faça o mesmo com os filhos dos seus amigos e com as crianças da vizinhança.

Acredito, também, que diminuir a quantidade de atividades que a família desenvolve fora de casa e dar maior importância aos rituais diários como cozinhar e comer juntos dá uma base sólida para os rituais de conexão.

2. Forneça algo para a criança poder se ligar a você emocionalmente: calor, calor emocional, atenção, interesse, ouvir a criança ou dar um abraço, beijo ou afago; o que cada criança precisar! “A criança precisa saber que é querida, especial, significativa, valorizada, apreciada, que sentem saudades dela, que gostam de sua companhia. Para uma criança receber completamente um convite à conexão (e acreditar nele e mantê-lo em sua mente mesmo com a distância física) é preciso que este seja genuíno e incondicional”.

Isso é muito importante mesmo quando você não tiver com vontade, pois seu filho está se desenvolvendo, o que nem sempre é fácil. Conecte-se com esta criança, ame-a! Guia-a, mantendo os limites, pois é você que é o adulto maduro com experiência de vida. Se você tiver a atitude de que irá criar esta criança para ser um bom ser humano, independente de qualquer coisa, então você se comprometerá para tal tarefa.

Os autores escrevem ainda que “Não podemos cultivar a conexão cedendo a todas as demandas da criança, seja por afeição, reconhecimento ou significância. Porém, podemos arruinar o relacionamento retirando da criança o que ela realmente precisa quando está expressando, genuinamente, alguma necessidade; responder à criança sob demanda não deve ser confundido com o enriquecimento da relação. Esse passo da dança não é uma resposta à criança. É o ato de conceber um relacionamento, repetidamente”.

Para crianças que têm uma ligação insegura com os pais, os autores observam que isso pode ser exaustivo para os mesmos e que “o problema é que a atenção dada [neste caso] nunca é suficiente: deixa uma incerteza de que os pais estão atendendo apenas às demandas, e não voluntariamente se doando para a criança. Então as demandas começam a aumentar mais e mais, e a necessidade emocional nunca se satisfaz. A solução é viver o momento, convidar o contato exatamente quando a criança não está pedindo.” Acredito que isso é especialmente eficaz em situações onde a filhos de mais de um casamento.

3. Convide a dependência. Os autores fazem uma comparação com o processo de namoro, quando um está continuamente se oferecendo a ajudar com uma atitude educada e feliz. “Você consegue imaginar o que aconteceria se, ao cortejar alguém, a mensagem enviada fosse: 'Não espere que eu lhe ajude com nada que eu ache que você pode ou deve fazer sozinho?'”

A dependência traz a independência no momento certo. Forçar a separação da criança causa pânico e faz com que ela “grude”.

Porém, o que os autores faltaram ressaltar aqui foi que, dentro do desenvolvimento normal da criança, isso aparece quando as crianças estão, de forma subconsciente, experimentando com o poder, com seus quereres e com as necessidades do seu desenvolvimento. Alguns pais precisam deixar com que seus filhos se tornem mais dependentes deles e precisam aprender a respeitar as indicações dos filhos mais velhos que que ainda não estão prontos para se separar. Porém, também há casos onde a criança está pronta para se separar e necessita disso, mas os pais não conseguem reconhecer que a criança precisa de apoio para fazer as coisas longe dos pais. Acredito que, dependendo da idade da criança, esta pode ser uma linha tênue onde os pais devem prestar atenção de forma muito consciente.

4. Aja como o compasso da criança. Precisamos guiar nossos filhos. Os autores escrevem: “Coisas mudaram demais para que nós sejamos guias. Não leva muito tempo para as crianças saberem mais que nós sobre o mundo dos computadores e da Internet, sobre seus jogos e brinquedos (...) Porém, apesar do fato do nosso mundo ter mudado (ou, mais corretamente, devido a este fato) está mais importante que nunca ter confiança em nós mesmos e assumir nossa posição como o compasso da vida dos nossos filhos”.

Os autores também listam várias frases que podem ajudar a orientar uma criança, tais como “Deixe-me mostrar como isso funciona”, “Você deve pedir ajuda a esta pessoa”, “Você tem o precisa para fazer (tal coisa)...”, etc.

Estas são coisas que vejo na vida real: mostrar a seu filho trabalho REAL e como fazer as coisas, primeiro por imitação (até os 7 anos) e depois ajudando-o a realizar trabalho real sozinho; ajudá-lo a encontrar seus pontos fortes e aumentar sua auto-confiança para enfrentar o que lhe desafia; aterrando seu filho na vida espiritual do FAZER; orientando-o, pelas suas ações, pela forma como você percebe o mundo e pela forma como você trata a família e as pessoas fora da família. Seja, você mesmo, um ser humano correto: se sua vida pessoal não estiver alinhada com a forma que você deseja que seu filho aja, é melhor que você mude para mostrar o significado de um ser humano moral. Na criação de um filho, não pode haver desconexões.

Acima de tudo, o compasso da criança inclui colocar limites de forma amorosa, com as ferramentas certas e na hora certa. Para todas as idades, é essencial controlar sua própria raiva e usar sua maturidade para ser adulto o suficiente para guiar a criança. Para todas as idades, mostrar à criança COMO make restitution é muito importante, é chave. Para as crianças com menos de sete anos, existe a imitação, usar as mãos para auxiliar de forma gentil, cantar, criar um ritmo, usar a distração, contar histórias, falar usando imagens e usar o movimento para ajudar a criança. Para crianças de cinco anos e meio ou seis, você pode usar frases curtas e diretas sobre o que precisa acontecer ou não. Para crianças de sete a oito, é possível usar uma explanação breve, com o cuidado de não estimular demais com as palavras. Para aquelas com mais de nove anos, uma conexão sincera ou uma conversa para resolver o problema.

Espero que este texto tenha ajudado você, como pai ou mãe, a unir as peças da conexão e dos limites para conseguir guiar seus filhos de forma gentil e amorosa, de uma forma madura onde você é o adulto, a realidade.

É bom ressaltar que tudo isso retrata uma situação ideal; porém, não somos perfeitos e TODOS nós passamos por momentos como pais onde nos perguntamos se estamos fazendo a coisa certa, se estamos estragando os nossos filhos, etc. Sim, todos nós já passamos por isso! Mas crie seus filhos com confiança e alegria; com conexões e limites para você e sua família você conseguirá criar seus filhos para serem adultos saudáveis!

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